No documento de “Perguntas e Respostas”, a resposta da questão n. 10 reconhecia este “status” de “primus inter paris” dos Comitês Nacionais de Serviço (no Brasil, Conselho Nacional) quando lhes pedia:

“Os Comitês Nacionais de Serviços precisam incluir todas as diferentes expressões carismáticas em cada país em um Serviço Nacional de Comunhão. Da mesma forma, todas as expressões carismáticas de cada país devem começar, a partir de agora, a organizar reuniões entre si para fomentar a comunhão. Espera-se que as coisas sejam estabelecidas ou se movam nesta direção até Pentecostes de 2019.”

Esta indicação, feita no dia 19 de abril de 2018, parte do princípio de que os “Serviços Nacionais de Comunhão” ainda não existiam e que era necessário iniciar o processo de diálogo organizando reuniões para fomentar a comunhão, preparando o caminho para o que viria em Pentecostes de 2019. A indicação afirma:

  • Que todas as expressões carismáticas em cada país precisarão ser incluídas no Serviço Nacional de Comunhão (quando ele existir, por óbvio);
  • Que todas as expressões carismáticas de cada país deveriam começar, a partir daquele exato momento, – 19 de abril de 2018 – a participar de reuniões fraternas para iniciar o diálogo e fomentar a comunhão.

A presidência do Conselho Nacional da RCC anunciou, por meio de uma “Carta a Família Carismática” de 2018, a criação de uma comissão com três membros do Conselho Nacional (escolhidos por ela) e três da Catholic Fraternity. Esperava-se, contudo, que o diálogo com outras expressões acontecesse, do modo mais inclusivo possível, na sequência da criação desta comissão. Notou-se, porém, que esta comissão desejou apresentar-se como a única oficial e legítima. Contudo:

  • O ICCRS possuía uma representação na América Latina de Língua Portuguesa e, ao existir uma comissão com tal caráter… este representante teria tanto direito de participar desta comissão quanto qualquer membro da Catholic Fraternity, por exemplo;
  • Até aquele momento, a única pessoa, no Brasil, que representava o CHARIS se chamava Gabriella Dias: A representante do CHARIS na América Latina de língua portuguesa.
  • Não houve uma diretriz advinda do CHARIS que estabelecesse ou criasse uma comissão no Brasil. Como já citamos acima, nenhuma expressão carismática predomina sobre as demais. Sendo assim, não gozaria de autoridade para, por si só, criar uma comissão, escolher quem pode ou não pode estar nela e, ainda, considerar outras iniciativas como “divisoras” e “separatistas”. A postura cerceadora dos que livremente usaram do seu direito de receber, refletir, emitir juízos e ter uma postura ativa ante a moção de unidade preconizada no CHARIS ficou evidente quando a Presidente do Conselho Nacional da RCC Brasil, em carta endereçada “à família carismática” (sem data), afirmou, após anunciar a criação de “uma Comissão Estatutária para elaborar o modelo de reorganização da corrente de graça no Brasil”, o seguinte:

“Não nos deixemos confundir por “pruridos de novidades” daqui e de acolá. Inevitavelmente, alguns se utilizam das redes sociais e de outros mecanismos para falar em nome da Renovação Carismática Católica (como Organismo), sem a devida legitimidade: “Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério.” (II Tm. 4,3-5).

O CHARIS toca a vida de todas as expressões carismáticas (não somente da RCC BR e das trinta e quatro comunidades que eram ligadas à Catholic Fraternity). Todas elas possuem direito de recepcionar, refletir e emitir juízos sobre a realidade do CHARIS.

O Centro de Estudos Renovação no Espírito louva a Deus pela abertura ao diálogo tanto da parte de Jean-Luc Moens – Moderador Internacional – quanto de Gabriella Dias – representante no Brasil – pois o diálogo tem sido constante. Da parte deles, sempre houve abertura; temos sido ouvidos.

Com relação à RCC BR, o CERNE não se privou de buscar o diálogo por reconhecer a sua “primazia em meio aos pares”. É em virtude deste reconhecimento que:

  • No dia 15 de junho de 2018 fizemos questão de convidar a presidente do Conselho Nacional – Kátia Roldi Zavaris – e a então Presidente do Conselho Estadual de São Paulo – Lucimar Maziero – para estarem conosco na reunião de Valinhos/SP, com o Dr. Ralph Martin. Nesta reunião se fez, pela primeira vez, a proposta aberta do CERNE.
  • Exatamente 1 ano antes, 15 de junho de 2017, fizemos o convite à presidente do Conselho Nacional para que pudesse estar conosco quando da primeira vinda de Salvatore Martinez e Johnny Bertucci a Valinhos/SP, onde um bom número dos primeiros irmãos que abraçariam a iniciativa do CERNE já se faziam presentes (a presidente não pôde estar, por motivos de força maior). Lucimar Maziero esteve conosco na ocasião. Eu mesmos (Fernando Nascimento) entrei em contato telefônico com a presidente do Conselho a fim de que ela pudesse conversar e saudar a Salvatore Martinez;
  • Voltando ao ano de 2018, tivemos nova reunião – já como CERNE – na cidade de Valinhos/SP, trazendo nosso amigo Salvatore Martinez para dar continuidade ao que fora abordado no ano anterior. Novamente a Presidência dos Conselhos nacional e estadual receberam um convite, mas não puderam se fazer presentes;
  • Para a reunião de Arujá – 30 de abril e 1º de maio – Reinaldo Beserra dos Reis e Pe. Eduardo Dougherty, sj enviaram um convite aos membros do Conselho Nacional (e até aos membros da Catholic Fraternity do Brasil). Não houve nenhuma devolutiva (se quer para agradecer o convite e o gesto de abertura ao diálogo).

Cabe recordar, mais uma vez, que Reinaldo Beserra dos Reis, Marcos Volcan e Pe. Eduardo Dougherty, sj estavam no Conselho Nacional em reuniões concomitantes a todos estes fatos (o que era um grande facilitador para o diálogo, se houvesse interesse em que se estabelecera um).

Sobre a comunhão do CERNE com a RCC BR, portanto, cabe-nos apenas afirmar que a abertura por parte do CERNE existiu e segue existindo.

O “Centro de Estudos Renovação no Espírito – CERNE” pretende ser um espaço plural de reflexões. Com isto, não estamos nos arvorando a ser, nós mesmos, os realizadores da comunhão que se espera do CHARIS, enquanto serviço único. Quando citamos os documentos, os Estatutos e os pronunciamentos, nosso único desejo é o de mostrar que gozamos de legitimidade para sermos UMA (e não “A”) expressão de identidade carismática aberta e inclusiva.

O CERNE não é uma ação de insubordinação (porque não está ligado às estruturas do “Movimento”) e não está interferindo no “governo” da RCC BR porque ela não goza deste múnus. São as Igrejas Particulares – Os Bispos e os que eles revestirem de autoridade para tal – que possuem este governo.

Nos dias 12 e 13 de outubro de 2019 houve a eleição da Coordenação do Serviço Nacional de Comunhão e a definição dos membros deste serviço (de caráter transitório, até 2021). Pe. Eduardo Dougherty, sj, Reinaldo Beserra dos Reis e Pe. Alberto Gambarini fazem parte deste serviço (e estão diretamente ligados ao CERNE).

Follow by Email
Facebook
Instagram