O advento do CHARIS fez com que ICCRS e Catholic Fraternity fossem dissolvidos. Os envolvidos na criação do CHARIS (Pino e Michelle) sempre deixaram claro, em suas falas, que o serviço único não seria a junção de ICCRS e Catholic Fraternity, mas uma realidade totalmente nova, que contemplaria, inclusive, expressões que ambas não contemplavam (ecumênicas, por exemplo). Recentemente, o Secretário do Dicastério para Famílias, Leigos e Vida – Pe. Alexandre Awi de Mello – fez a seguinte declaração à Vatican News:

“CHARIS está chamado a servir todas as expressões da “corrente de graça”. Seus estatutos entrarão em vigor no dia 9 de junho de 2019, na Solenidade de Pentecostes. Nesse mesmo dia, a Fraternidade Católica de Comunidades Carismáticas de Aliança (conhecida como Catholic Fraternity) e o ICCRS (International Catholic Charismatic Renewal Services) cessarão definitivamente as suas atividades. É importante destacar que CHARIS não é uma fusão entre esses dois organismos, mas um novo serviço que inaugura uma nova etapa para a Renovação Carismática Católica Internacional”.

Neste sentido, a rede de comunidades chamada Catholic Fraternity foi dissolvida e as comunidades, outrora ligadas à CF, estão vinculando-se ao CHARIS como qualquer outra expressão carismática (sem a necessidade de usar a antiga pertença a Frater como uma prerrogativa para tal, pois não é este o motivo da possibilidade de vinculação ao CHARIS). As de direito pontifício passaram a pertencer à Assembleia Geral, juntamente com outras expressões de relevância internacional e com os membros do Serviço Internacional de Comunhão; as de direito diocesano serão contempladas no Serviço Nacional de Comunhão.

A existência do CERNE nunca interferiu em nada desta realidade, no que se referia à Catholic Fraternity. Nunca houve qualquer tipo de conflito entre o CERNE e a Catholic Fraternity (já dissolvida).

A RCC BR, por sua vez, organiza-se “como” um Movimento Eclesial, mas não é uma “Associação Privada de Fieis reconhecida” como, por exemplo, o Rinnovamento nello Spirito Santo. Perante a estrutura da Igreja, as instâncias nacionais e estaduais não possuem “múnus de governo”, uma vez que nem o Brasil, enquanto país, nem os Estados, enquanto Unidades Federativas (UF), constituem-se numa “jurisdição eclesiástica”. A única pessoa, na RCC BR, que goza de “múnus de governo” é o Coordenador Diocesano, sempre que atue sob ciência e consentimento do Ordinário do lugar. Assim como a CNBB, o Conselho Nacional e Estadual existem para favorecer a comunhão e oferecer serviços nas Igrejas Particulares, mas sempre com este “status”: “Serviço sob anuência do Bispo Local”. Um coordenador diocesano, sob ciência e aval de seu Bispo, teria total liberdade para estabelecer linhas de ação e direcionamentos voltados para a sua própria realidade local sem a necessidade de prestar “subserviência” às diretrizes Estaduais e Nacionais, se assim achasse por bem. Portanto, é falsa a premissa de que o coordenador diocesano “presta obediência” ao coordenador estadual e ambos “prestam obediência” ao coordenador nacional. Antes, as instâncias nacionais e estaduais existem como comunhão das realidades diocesanas, onde reside a verdadeira autoridade (o Bispo) que confere provisão a um coordenador diocesano e define o caminho da Renovação em cada Igreja Particular. Assim como as dioceses recebem as diretrizes da CNBB e as aplicam, sob o desejo de conservar a unidade, de igual modo as realidades diocesanas recebem com gozosa abertura os direcionamentos estaduais e nacionais (não como quem “precisa”, sob pena de desobediência, mas por desejo de comunhão, livre e espontânea). Os conselhos nacionais e estaduais são instâncias de escuta e de direcionamento proféticos, motivo pelo qual seus membros devem ser pessoas com certa caminhada espiritual e reconhecido dom de sabedoria e discernimento dos espíritos. Como toda palavra profética exige a confirmação da Comunidade, os conselhos diocesanos acolhem os direcionamentos livremente, discernindo-os na realidade local e aplicando-os com o desejo sincero de, em tudo, agradar a Nosso Senhor.

Ser presidente do Conselho Estadual não é a mesma coisa que ser o coordenador estadual da RCC, por exemplo. A segunda nomenclatura – errônea – prolifera o conceito de que o Presidente do Conselho Estadual é o responsável por todas as dioceses que, geograficamente, estão na Unidade Federativa (UF), e isto não é verdade. Diante dos bispos, é responsável pela Renovação, nas suas dioceses, unicamente quem eles reconheceram para tal. O presidente do Conselho Estadual presta um serviço de comunhão, sem múnus de governo. O mesmo se deve dizer do Presidente do Conselho Nacional.

Não há, portanto, nenhuma insubordinação do CERNE para com o Conselho Nacional, em primeiro lugar, porque esta nova iniciativa não faz parte das estruturas do Movimento. Em segundo lugar, porque o Conselho não goza de “múnus de governo” para exigir essa “subordinação”.

Já sobre o tema da comunhãoentre o CERNE e o Conselho Nacional (ao invés de “subordinação”), cabe relembrar que o CERNE olha para o Movimento Eclesial da RCC Brasil com afeto, considerando-o na qualidade de “primus inter paris”, ante todas as expressões carismáticas existentes. Nenhuma realidade carismática prevalece por sobre as demais diante da nova realidade do CHARIS, como afirmou o Pe. Alexandre Awi Mello:

“Os estatutos de CHARIS estabelecem a constituição em cada país de um Serviço Nacional de Comunhão que reúna, na maior medida possível, todas as realidades carismáticas do país, SEM QUE NENHUMA DELAS PREDONIME SOBRE AS DEMAIS.”

Contudo, o Movimento deveria exercer, de fato, uma “primazia na caridade”, sendo aquele que articula, ainda com mais afinco e compromisso que as outras expressões, as pontes da unidade na corrente de graça, tornando-se, por isto, uma das maiores forças do CHARIS. O Movimento, por outro lado, não goza de exclusividade neste serviço, como se só a ele competisse receber, refletir, emitir juízos e agir na realização dos esforços de unidade das expressões carismáticas, uma vez que o chamado à unidade é prerrogativa de toda e qualquer realidade cristã e o direito de livre associação é garantido pelo magistério da Igreja. No direito de receber, refletir, emitir juízos e agir pela realização dos esforços de unidade das expressões carismáticas, cada uma das mesmas deve ser ativa e não passiva; do Movimento Eclesial, contudo, espera-se um comprometimento ainda maior, dado sua primazia histórica e capilaridade.

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