O Papa Francisco disse à Renovação Carismática Católica no dia 01 de junho de 2014, no Estádio Olímpico de Roma.

“Vós tendes um guia nos Documentos de Malinas, um percurso seguro para não errar o caminho. O primeiro documento é: Orientação teológica e pastoral. O segundo: Renovação Carismátioca e Ecumenismo, escrito pelo Cardeal Suenens, grande protagonista do Concílio Vaticano II. O terceiro é: Renovação carismática e serviço ao homem, escrito pelo Cardeal Suenens e pelo Bispo Hélder Câmara”.

“O vosso percurso é: evangelização, Ecumenismo Espiritual, cuidado dos pobres e dos necessitados e acolhimento dos marginalizados. E tudo isto com base na adoração! O fundamento da renovação é adorar a Deus!”.

“Pediram-me que dissesse à Renovação o que o Papa espera de vós […] Que deis um testemunho de ecumenismo espiritual com todos os irmãos e irmãs de outras Igrejas e comunidades cristãs que creem em Jesus como Senhor e Salvador. Que permaneçais unidos no amor que o Senhor Jesus pede a nós por todos os homens, e na oração ao Espírito Santo para alcançar esta unidade, necessária para a evangelização em nome de Jesus. Recordai que «A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA É ECUMÊNICA POR SUA PRÓPRIA NATUREZA… A Renovação Carismática rejubila-se por aquilo que o Espírito Santo realiza nas outras Igrejas» (1 Malinas 5, 3)”.

Como nós sabemos, a Renovação Carismática Católica é, segundo o Papa Emérito Bento XVI, fruto e resposta do Espírito ao Concílio Vaticano II. Assim declarou o então Cardeal Ratzinger em entrevista ao repórter Vittorio Messori na obra “A fé em Crise?”:

“O período pós conciliar pareceu corresponder bem pouco às esperanças de João XXIII, que esperava um “novo Pentecostes”. Sua oração, entretanto, não ficou sem resposta no coração de um mundo feito árido pelo ceticismo racionalista, nasceu uma nova experiência do Espírito Santo que assumiu a amplidão de uma moção de renovação em escala mundial. Tudo o que o Novo Testamento escreve a propósito dos carismas que apareceram como sinais visíveis da vinda do Espírito Santo não é mais história antiga apenas, encerrada para sempre: essa história torna-se hoje vibrante de atualidade”. A FÉ EM CRISE? O Cardeal Ratzinger se interroga – Ed. E.P.U. – 1985, São Paulo.

O Concílio Ecumênico Vaticano II, do qual São João XXIII esperava um “novo Pentecostes” e pôde ver sua oração atendida – segundo o Papa Emérito Bento XVI – com o advento da Renovação Carismática, possui um documento sobre o tema da reintegração da unidade – em latim, UNITATIS REDINTEGRATIO – que pode nos servir de inspiração. Dentre tantas outras coisas, o Documento declara:

“Por outro lado, é mister que os católicos reconheçam com alegria e estimem os bens verdadeiramente cristãos, oriundos de um patrimônio comum, que se encontram nos irmãos de nós separados. É digno e salutar reconhecer as riquezas de Cristo e as obras de virtude na vida de outros que dão testemunho de Cristo, às vezes até à efusão do sangue. Deus é, com efeito, sempre admirável e digno de admiração em Suas obras.” UR, n.4.

O Documento diz: “Deus é, com efeito, sempre admirável e digno de admiração em Suas obras.” A pessoa que escreveu, compôs ou falou não está em plena comunhão; mas, ali, naquele conteúdo que procede do nosso “patrimônio comum” – expressão utilizada pelo Documento Conciliar – essa obra pode ser considerada como inspirada pelo Espírito Santo, o que significa dizer que ela pode ser considerada como obra de Deus!

O Documento continua:

“Nem se passe por alto o fato de que tudo o que a graça do Espírito Santo realiza nos irmãos separados pode também contribuir para a nossa edificação. Tudo o que é verdadeiramente cristão jamais se opõe aos bens genuínos da fé, antes sempre pode fazer com que mais perfeitamente se compreenda o próprio mistério de Cristo e da Igreja.” UR, n.4.

O Espírito Santo, autor da Verdade, age nos irmãos de nós separados e o que Ele faz, por meio deles, pode de fato contribuir para a nossa edificação, nos ajudando a crescer na nossa compreensão acerca do mistério de Cristo e da Igreja!

Portanto: A Renovação Carismática Católica precisa voltar aos Documentos de Malinas – “percurso seguro para não errar o caminho” – a fim guardar a sua especificidade e cumprir a sua missão na Igreja. Dentre estes documentos, um deles – Malinas II – é INTEIRAMENTE DEDICADO AO ECUMENISMO. A Renovação é resposta aos anseios do Concílio (cf. Cardeal Joseph Ratzinger) e, no quesito ecumênico, este Concílio nos deixou o Documento Unitatis Redintegratio. São João Paulo II, através da Encíclia Ut Unum Sint, solidifica este caminhar e o Papa Francisco, com seus discursos e atitudes – especialmente com a ereção do CHARIS – coloca a Renovação no centro do esforço de ecumenicidade da Igreja.

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