Existe um dinamismo na Igreja, próprio de um organismo vivo, que constantemente a coloca sob a influência de grandes “correntes de graça”, que surgem não por fruto do planejamento ou pela via hierárquica e institucional, mas por “geração espontânea”, próprio da dimensão carismática da Igreja.

Era Apostólica, Sub-Apostólica e Apologética:

Foi assim logo no primeiros séculos, quando a perseguição fazia a Igreja buscar e receber, constantemente, um derramamento do Espírito Santo “semelhante a Pentecostes”, como atestam os Atos dos Apóstolos.

Monaquismo:

Foi assim quando a tibieza abateu a Igreja, no Século IV, e muitos foram impelidos a irem para o deserto, dando origem ao Movimento Monástico que tocou a toda a Igreja (não somente ao monges). Os sinais e prodígios atestados nos Atos dos Apóstolos e na geração sub-apostólica e apologética dos primeiros Padres da Igreja continuaram a ser atestados, tanto na vida dos que assumiram a vocação eremítica e monástica, como Santo Antão, São Pacômio, Santo Atanásio, Santo Hilarião, São Bento de Núrsia e São Gregório Magno, quanto na vida de homens influenciados pelo monaquismo, como Santo Ambrósio, São Jerônimo e Santo Agostinho;

A Era da Fé:

Por volta do ano 600 d.C. até mesmo o monasticismo perdera muito de sua vitalidade. Quando os monastérios se tornaram ricos, em virtude do acúmulo das propriedades da comunidade, começaram a surgir, em alguns deles, a preguiça, a avareza e a glutonaria. Do século V ao Século XI, a Europa havia sido arrasada por ondas sucessivas de invasores bárbaros. Primeiro veio a onda de invasões germânicas, e então surgiu o tormento do Islã. Os anos de 900 a 1000 foram especialmente sombrios devido às hordas de tribos asiáticas e piratas escandinavos e sarracenos que pilharam a Europa. Espírito Santo fez surgir um período chamado de A ERA DA FÉ: uma primavera para a Igreja! Ele emergiu de uma longa e sangrenta noite de invasões bárbaras para um maravilhoso período de vida. Foi nesse período que floresceu uma cálida devoção a um Jesus manso e pessoal. Os homens tinham uma fé própria da infância espiritual, simples e enraizada, que lhes tornou possível descobrir novas dimensões do amor e da caridade humana. A fé nos milagres superabundava nas pessoas. Novas ordens, como os cirstencienses, os franciscanos e os dominicanos surgiram. Estas novas ordens, especialmente os franciscanos e dominicanos, pregavam o evangelho entre o povo. Conhecidos como os frades pregadores, pregavam o evangelho na língua do povo e ajudavam de diversas maneiras. Eles imitavam os discípulos de Jesus, saíam para pregar nas missões sem dinheiro ou excedentes, colocando-se assim numa posição de dependência de Deus e à mercê do povo. Ademais, eles não podiam senão observar as instruções e promessas de Jesus concernentes aos milagres. Isso facilitou a manfiestação dos milagres bíblicos nos seus ministérios e em suas vidas. Neste período, surgiram homens e mulheres como São Bernardo de Claraval, Santa Hildegarda de Bilgen, São Domingos de Gusmão, São Francisco de Assis, Santo Antônio de Pádua, São Vicente Ferrier, Santa Catarina de Sena, São Tomás de Aquino e São Boa Ventura;

Era dos Místicos

Um outro grande momento de dor surgiu na história da Igreja, fruto, mais uma vez, da sede de poder humano e de avareza. Foi neste ambiente que a Igreja passa pelo segundo maior cisma da história, em 1517, com o Monge Agostiniano Martinho Lutero e o surgimento do Protestantismo. Neste tempo, o Espírito suscita grandes reformadores como Santa Teresa D’Ávila, São João da Cruz e Santo Inácio de Loyola. Em virtude das grandes navegações, um nova onda de evangelização das nações nunca antes alcançadas pelo Evangelho faz surgir homens como São Francisco Xavier, São José de Anchieta, Santo Isaac Jogues e muitos outros, cuja pregação era acompanhada de milagres, prodígios e sinais. Houve uma grande efervescência mística nesta época, como São João de Ávila e São Martinho de Porres. Este período fez surgir homens e mulheres que, com suas vidas, foram sustento para a Igreja até hoje, especialmente do século XVII ao XIX.

Movimento de Santidade e Avivamentos

No ambiente da tradição protestante, cabe citar aos Metodistas (século XVIII), Irvingitas (séculos XVIII-XIX) e ao Avivamento Americano e as Igrejas de Santidade (século XIX). Entre eles, contudo, merece uma menção especial, por sua importância, o Pentecostalismo (no qual poderíamos destacar o Pentecostalismo Clássico do final do século XVIII, o Pentecostalismo do começo do século XX e o Neopentecostalismo da metade do século XX). Por sua vez, o Metodismo é o que mais influenciou no Pentecostalismo. Os irmãos Wesley desenvolveram, no Holy Club de Oxford, a famosa doutrina metodista de que “não há salvação sem santificação, base principal do perfeccionismo pentecostal”. Há um artigo no meu blog, com título A Renovação no Espírito Santo – Precedentes históricos da Renovação Carismática, que oferece maiores informações sobre este período.

O Século do Espírito

Em resumo, a Beata recebeu locuções interiores onde Nosso Senhor Jesus Cristo lhe falou sobre a necessidade de retornarmos a uma devoção viva à Pessoa do Espírito Santo, abrindo-se aos seus dons, frutos, entendendo Sua missão e assim por diante. Ela escreveu treze cartas ao Papa Leão XIII insistindo na necessidade de que a Igreja retornasse ao Cenáculo de Pentecostes.

Encíclica Divinum Illud Munus, do Papa Leão XIII, em 9 de maio de 1897: a primeira Encíclica dedica ao Espírito Santo.

No dia 01 de janeiro de 1901 o Papa Leão XIII entoou o hino Veni Creator Spiritus, como de costume, com a intenção de consagrar o Século XX ao Espírito Santo. Naquele mesmo dia, na cidade de Topeka, no Kansas, EUA, Agnes Ozman, da Escola Bíblica de Charles Parham, teve a experiência da glossolalia (falar em línguas estranhas).

Em 1904, no País de Gales, aconteceu um Avivamento Espiritual;

Em 1906, em Los Angeles, aconteceu outro avivamento espiritual considerado como marco inicial do Movimento Pentecostal, na casa da Rua Azusa 312: O Avivamento de Azusa Street.

Diversas pessoas, assim como a Beata Elena Guerra, tiveram experiências místicas, locuções interiores e outras realidades similares que apontavam para um iminente derramamento do Espírito Santo: Conchita Cabrera, Dina Belanger, Luísa Piccarreta, etc.

São João XXIII: Inicia seu pontificado em 4 de novembro de 1958. Sua primeira beatificação, em 26 de abril de 1959, foi da freira italiana Elena Guerra, a quem chamou de Apóstola do Espírito Santo.

No dia 25 de dezembro de 1961, através da Bula Papal Humanae Salutis, São João XXIII convoca o Concílio Vaticano II, que teve início no dia 11 de outubro de 1962 e foi concluído, já sob o Pontificado de Paulo VI, em 8 de dezembro de 1965. São João XXIII faleceu no dia 3 de junho de 1963 (vigília de Pentecostes).

Concílio que mais falou sobre o Espírito Santo e confirmou a fé da Igreja nos carismas.

Os textos mais relevantes do Concílio Ecumênico Vaticano II a este respeito são:

Lumen Gentium, nn. 4, 7, 11, 12, 25, 30 e 50;

Dei Verbum, 8;

Apostolicam Actuositatem, nn. 3, 4, 30;

Presbiterorum Ordinis, nn. 4, 9;

No ano de 1965, em South Bend, Indiana, o jovem Ralph Martin faz uma profunda experiência de conversão através dos Cursilhos de Cristandade, dos quais já participavam seus amigos Stephen Clark, Kevin Ranaghan, dentre outros. Um mês depois, em sua casa, Ralph, depois de ler A Cruz e o Punhal (de David Wilkerson) e Eles Falam em outral Línguas (de John Sherrill), faz a experiência da oração em línguas e acredita ter ido “longe demais”.

Em 1966, Ralph Martin e Stephen Clark pregam um retiro para um grupo de alunos da Universidade de Duquesne, em Pittsburgh, ligados à uma Associação de Estudos Bíblicos chamada Ki Ro (as duas primeiras letras do nome “Kristos”, em grego). Os professores Ralph Keifer, Patrick Bourgeois e William Storey estavam neste retiro. Ralph presenteou-lhes os dois livros supracitados: A Cruz e o Punhal e Eles falam em outras Línguas.

Os três professores de Duquesne começam, em 1967, a buscar ajuda para entenderem melhor as experiências narradas naqueles livros. No dia 06 de janeiro de 1967, festa da Epifania do Senhor, eles visitam a casa de Florence Dodge, convidados por Betty Shomaker enquanto visitavam o Pastor Episcopaliano William Lewis. Ali recebem o primeiro impacto da experiência carismática.

Uma semana depois, dia 20 de janeiro, Patrick Bourgeois, Ralph Keifer e sua esposa voltaram à casa de Florence Dodge e, desta vez, fizeram a experiência do Batismo no Espírito Santo. Ficaram no meio da roda e, sem que ninguém lhes impuse as mãos (por respeito aos irmãos católicos), eles começaram a falar em línguas.

No dias 17, 18 e 19 de fevereiro de 1967 acontece o Fim-de-Semana de Duquesne na casa de Retiros The Ark and the Dove, em Gibsonia, região metropolitana de Pittsburgh.

Uma semana depois, a convite de Patti Gallagher Mansfield (uma das estudantes), Ralph Martin vai à Pittsburgh, reza com eles, ouve os relatos e se congratula com os irmãos: “Eu não estava louco em 1965: Deus está fazendo isto!”.

De Pittsburgh o fogo se move para a Universidade de Notre Dame, South Bend, Indiana, através do casal Kevin e Dorothy Ranaghan. Em seguida, para Michigan, através de Ralph Martin e Stephen Clark. Em Indiana, nasceu a Comunidae People of Praise, encarregada dos grandes Congressos Internacionais (o primeiro deles ocorreu ainda em 1967!). Em Michigan, nasce a Comunidade Word of God, com o primeiro escritório internacional da RCC e a Revista New Covenant.

Neste período, o “escolástico” Edward Dougherty mora no Brasil de 1966 a 1968, estudando teologia com os Dominicanos, até que o DOPs fecha aquela faculdade. Edward vai para Toronto, no Canadá, dar continuidade aos seus estudos;

Em 15 e 16 de março de 1969, Edward Dougherty participa de um fim-de-semana de oração em East Lansing, Michingan, pregado por Ralph Martin, Stephen Clark e o Padre George Kosicki. Foi batizado no Espírito Santo.

Nas férias de verão de 1969, Edward vem ao Brasil para visitar o Padre Haroldo Rahm, SJ. Compartilha com ele o que está acontecendo nos Estados Unidos, o que experimentara em 15 de março – o batismo no Espírito Santo – e lhe presentei-a dois livros: Aglow with the Spirit, do Dr. Robert Frost, e A Cruz e o Punhal.

Nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969, na Vila Brandina, o Padre Haroldo organiza a primeira experiência de oração inspirada na Renovação Carismática da qual se tem notícias no Brasil. Os jovens da COMUBA, ligados ao TLC, são os organizadores e participantes. Reinaldo Beserra dos Reis era o coordenador da experiência.

Em 1970 Edward é ordenado sacerdote;

Por diversas vezes o Padre Edward visitou o Brasil durante este período, trazendo livros e contando as novidades que experimentava nas reuniões de oração em Toronto, bem como nas Conferências Internacionais em South Bend.

Em 1972 o Padre Edward vem definitivamente para o Brasil, e fica conhecido pelo nome português: Padre “Eduardo”.

Em 1972 o Cardeal Suenens visita Ann Arbor, em Michigan; conhece os carismáticos, concede uma entrevista de endosso ao movimento (na revista New Covenant) e passa a dar grande suporte à nascente Renovação Carismática.

Em 1973 um grupo de líderes carismáticos é recebido, em audiência privada, pelo Papa Leão XIII;

Em 1973, no Brasil, acontece, no Rio de Janeiro, uma reunião organizada por Dom Cipriano Chagas, OSB, com pregadores itinerantes da Renovação.

Em 1974, em Itaici, acontece o Primeiro Congresso Nacional da Renovação Carismática Católica;

Em 1975 os Carismáticos realizam um Congresso Internacional em Roma; a missa de conclusão acontece na Basílica de São Pedro. O Papa Paulo VI vem, saúda o Cardeal Suenens e dá um discurso de endosso aos carismáticos!

Ao longo de todo este período, Padre Eduardo trabalha com a Equipe Nacional da RCC que ele mesmo formara. Em 1979, recebe a inspiração de começar a pregar pela TV;

Em 1981, funda a Associação do Senhor Jesus. Em reunião com o Conselho Nacional, decidem: Padre Eduardo fará a evangelização pela TV; Padre Jonas, pelo Rádio; Dom Cipriano, pelos impressos.

A década de 80 é marcada pela consolidação da RCC no Brasil e pelos grande cenáculos a Céu Aberto nos Estádios do Pacaembu e Morumbi.

A década de 90 é marcada pelo projeto da Ofensiva Nacional: Unidade, Identidade e Missão.

Os tempos atuais: Mais de 20.000 grupos de oração ligados às estruturas do Movimento Eclesial da RCC BRASIL; mais de 800 Comunidades Carismáticas existentes no país; duas emissoras de televisão com identidade carismática; diversos meios de comunicação carismáticos; congregações religiosas, associações, casas de recuperação, vocações, trabalhos sociais…

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